Escavações arqueológicas em Mato Grosso do Sul estão ajudando a reconstituir o modo de vida dos primeiros habitantes da região, com descobertas que podem mudar o que se sabe sobre a história local. Liderado pela arqueóloga Lia Raquel Toledo Brambilla Gasques, o programa Trilha Rupestre, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), tem revelado indícios de uma convivência ancestral com a megafauna e a presença de diversas culturas pré-históricas, graças à localização estratégica do Estado no coração da América do Sul.
O trabalho de escavação em cavernas, segundo os pesquisadores, vai muito além da datação de objetos. O objetivo é compreender como e onde viviam esses povos pioneiros. Na mais recente expedição, em Alcinópolis, a 311 km de Campo Grande, a equipe trouxe material da Gruta da Mesa, no Monumento Natural Serra do Bom Jardim, que pode contribuir para novas respostas às perguntas dos cientistas. Com 41 sítios arqueológicos, o município é um dos 16 em Mato Grosso do Sul que são foco de estudos do projeto.
Trabalho integrado
Esta foi a terceira expedição anual ao sítio arqueológico e reuniu pesquisadores de Santa Catarina (Unesc), Rio Grande do Sul (UFSM) e Portugal (Instituto Politécnico de Tomar). Ao todo, participaram 15 pessoas, entre professores e estudantes de mestrado, doutorado e graduação.
Durante dez dias em julho, o grupo escavou um metro de profundidade e coletou 30 peças, entre sedimentos de pinturas rupestres, carvões, artefatos líticos (pedra lascada e pedra polida) e sementes queimadas, como as de baru. Os materiais agora passam por análise para datação e identificação.
Lia Brambilla é a coordenadora-geral do Projeto de Escavação da Gruta da Mesa, enquanto o professor André Soares, da UFSM, responde pela coordenação de campo. Segundo Lia, as duas escavações anteriores, que chegaram a 45 cm de profundidade, já haviam revelado vestígios humanos de cerca de 1.400 anos. Agora, com a escavação mais profunda e novas metodologias de coleta, a expectativa é obter dados mais esclarecedores.
Indícios de convivência com megafauna
As evidências encontradas em Alcinópolis sugerem que os primeiros habitantes da região conviveram com animais como o tigre-dente-de-sabre, o criptodonte (tatu gigante) e a preguiça-gigante. Representações dessas espécies foram registradas em cavernas e marcas de arranhões próximas a desenhos rupestres reforçam a hipótese.
As pinturas da região são majoritariamente simbólicas e geométricas, com figuras isoladas de objetos, animais, gestantes e representações do sol, diferentes das cenas de caça e pesca encontradas em outros locais. A variedade de estilos em Alcinópolis indica que diferentes culturas passaram e se estabeleceram na área.
Para a pesquisadora, essa diversidade cultural já era tendência na pré-história, algo que se reflete na população atual de Mato Grosso do Sul. Muitos artefatos encontrados têm estilo semelhante ao de Cerro Corá, no Paraguai, próximo à fronteira. Lia acredita que a posição geográfica no centro da América do Sul fazia da região um ponto de encontro para grupos nômades, alguns dos quais acabavam se fixando, tornando-se ancestrais dos sul-mato-grossenses.
Projeto com impacto local
A Trilha Rupestre é um programa interdisciplinar dividido em sete eixos — arqueológico, arte cerâmica, botânico, geopaleontológico, químico-farmacêutico, alimentos e turismo — e busca também beneficiar diretamente as comunidades. Em Alcinópolis, por exemplo, já promoveu oficinas de receitas com frutos nativos, como jatobá, guavira e baru, e desenvolveu cosméticos com essências do cerrado.
Durante a Semana da Arqueologia de 2024, foram realizadas oficinas para incentivar o uso de plantas regionais na culinária e estimular o turismo. No eixo químico-farmacêutico, a equipe desenvolve produtos com aromas e óleos essenciais do cerrado, enquanto o de turismo capacita moradores para geração de renda a partir do patrimônio cultural.
Abrangência do estudo
O programa reúne 49 pesquisadores e começou em 2021, com previsão de término em 2026. Até o momento, os registros mais antigos indicam presença humana em Chapadão do Sul há 12,4 mil anos, além de evidências em Alcinópolis (10,7 mil anos), Aquidauana (10,1 mil) e Ladário (8.230 anos).
A iniciativa conta com apoio da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul), Unesco, governo estadual, Prefeitura de Alcinópolis e Cointa (Consórcio Intermunicipal da Bacia Hidrográfica do Rio Taquari).
Fonte: MS Todo Dia
Foto: Divulgação/Assecom
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