Um esquema sofisticado de estelionato está colocando proprietários e funcionários de casas lotéricas em alerta em Mato Grosso do Sul. Em um dos casos mais graves, registrado no último dia 12 de janeiro, em Água Clara, uma única unidade teve um prejuízo estimado em R$ 350 mil. O crime, que utiliza a técnica de engenharia social, está sob investigação rigorosa da Polícia Civil.
O golpe é baseado na confiança e na hierarquia. Os criminosos utilizam perfis de WhatsApp com fotos e nomes dos reais proprietários das lotéricas. Eles entram em contato com os funcionários alegando uma urgência financeira e solicitam o pagamento de diversos boletos e transferências, conforme divulgou o Campo Grande News.
Para dar veracidade à fraude, os golpistas utilizam o nome de um suposto contato de confiança, enviam comprovantes falsos de depósitos para simular que o dinheiro está entrando na conta da empresa e pressionam os funcionários com ordens diretas, simulando a autoridade do dono do estabelecimento.
Em Água Clara, a funcionária acreditou estar falando com a chefia e realizou os pagamentos ao longo do dia. O volume das transações foi tão alto que o sistema da Caixa Econômica Federal bloqueou a unidade, forçando o fechamento temporário do local.
Reincidência em Campo Grande
A ousadia dos criminosos não parou por aí. Adriana Rodrigues, proprietária de duas lotéricas na capital, relatou ter sido alvo da mesma quadrilha em duas ocasiões, sendo a mais recente nesta terça-feira (20).
Nas duas vezes, Adriana conseguiu intervir antes que as funcionárias concluíssem as operações. Na tentativa de ontem, a empresária identificou que o nome registrado na simulação do pagamento era João Vitor da Silva Moraes. "Eles repetem o procedimento e tentam impor autoridade na conversa", alertou a empresária, que decidiu tornar o caso público para evitar que outros colegas do setor sejam vitimados.
A Polícia Civil investiga como os criminosos obtêm dados internos das empresas e os números de telefone dos funcionários. A principal orientação para o setor é:
Canais Oficiais: Nunca realizar pagamentos baseados exclusivamente em ordens via WhatsApp.
Confirmação por Voz: Em caso de pedido de transferência, o funcionário deve ligar para o proprietário em um número conhecido (fora do aplicativo) para confirmar a voz e a solicitação.
Treinamento: Equipes devem ser instruídas sobre os limites de pagamentos diários e protocolos de segurança.
A conta utilizada para receber o valor de R$ 350 mil em Água Clara já foi solicitada para bloqueio junto à Caixa, mas as autoridades alertam que quadrilhas desse tipo costumam pulverizar o dinheiro em diversas "contas laranja" minutos após o recebimento.
Fonte: MS Todo Dia
Foto: Reprodução redes sociais
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