Os vereadores da base do prefeito Walter Schlatter rejeitaram, durante sessão legislativa de segunda-feira (02), dois requerimentos apresentados pelos parlamentares de oposição Alline Krug Tontini e Júnior Teixeira, que solicitavam esclarecimentos detalhados sobre contratos, imóveis alugados e gastos do Executivo Municipal de Chapadão do Sul nos anos de 2025 e 2026.
As propostas pediam informações básicas de gestão pública e transparência administrativa, mas foram barradas pela maioria governista na Câmara, composta por seis vereadores alinhados ao prefeito, contra cinco da oposição.
O que pediam os requerimentos
O Requerimento nº 81/2026, de autoria da vereadora Alline Krug Tontini, solicitava ao Executivo a relação completa de todos os imóveis alugados pela Prefeitura, com dados como endereço, finalidade da locação, secretaria beneficiada, valor mensal do aluguel e vigência dos contratos.
Já o Requerimento nº 83/2026, apresentado pelo vereador Júnior Teixeira, pedia a lista detalhada de todos os contratos de consultoria firmados pelo município, incluindo nome dos contratados, valores totais, pagamentos realizados, descrição dos serviços prestados, órgãos beneficiados e prazos de execução.
Segundo os autores, as informações são necessárias para que o Legislativo cumpra seu papel constitucional de fiscalização.
Durante seu pronunciamento, a vereadora Alline Krug Tontini criticou duramente a postura da base do prefeito e reforçou que o pedido não se trata de ataque político, mas de prerrogativa legal do mandato:
“É lei. Requerimento é direito do vereador. Eu não quero aula de como procurar informação. Eu quero resposta oficial do Executivo. Uma coisa é eu procurar, outra é ter a resposta formal do Executivo”.
Alline também afirmou que os pedidos surgiram após questionamentos recorrentes da população sobre gastos públicos. “É um ponto de interrogação que já chegou aqui para vários vereadores. Cabe a nós, como poder fiscalizador, solicitar esse requerimento para saber para onde está indo o dinheiro público.”
O vereador Júnior Teixeira afirmou que o requerimento buscava esclarecer onde estão sendo aplicados os recursos municipais, especialmente diante do volume de arrecadação recente, totalizando cerca de R$ 450 milhões. “Eu quero saber onde estão as obras. Isso é direito da população, isso é transparência.”
Ele também disse já esperar a rejeição. “Eu já estou prevendo que esse requerimento vai ser negado, no mesmo estilo das comissões, mas é meu papel estar aqui e mostrar fatos.”
Base diz não e oposição reage
O líder do prefeito na Câmara, vereador Ricardo Bannaka, justificou o voto contrário afirmando que as informações já estariam disponíveis no Portal da Transparência. “Agora eu vou pedir pilhas e pilhas de papel às vezes para chegar aqui e nem olhar. Isso é um desserviço”.
Em defesa do voto contrário, o vereador Marcel D’Angelis, líder governista, afirmou que os documentos solicitados já estariam disponíveis no Portal da Transparência. “Todos os documentos que foram pedidos e nós votamos não aqui hoje estão no Portal da Transparência”.
No entanto, a justificativa da base ocorre em um contexto sensível. Recentemente, a Prefeitura de Chapadão do Sul foi alvo de apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) por falhas no Portal da Transparência. À época, o Executivo alegou invasão externa, instabilidade no sistema e inconsistências em dados públicos, o que reforça o argumento da oposição sobre a necessidade de respostas oficiais e documentadas.
Após a rejeição, tanto Alline quanto Júnior lamentaram o que classificam como cerceamento da atividade fiscalizadora. Alline foi direta ao criticar o comportamento da maioria governista. “Quando são eles, chamam de articulação política. Quando é oposição, é escândalo. Isso é desonestidade política”.
Já Júnior Teixeira afirmou que a Câmara vive um ambiente de submissão ao Executivo. “Se eu ficasse sentado dizendo amém para tudo que o prefeito fala, minha reeleição estava garantida. Mas escolhi o caminho mais difícil, que é fiscalizar.”
Disputa judicial e clima de tensão
O embate ocorre em meio a uma ação judicial movida pelos vereadores Andreia Lourenço, Júnior Teixeira, Vanderson Cardoso dos Reis e Alline Krug Tontini, que questionam a formação das comissões permanentes da Câmara.
Segundo os parlamentares, todas as comissões estão presididas e ocupadas majoritariamente pela base do prefeito, desrespeitando o princípio da proporcionalidade partidária. A base governista detém seis cadeiras, contra cinco da oposição, o que, na prática, tem garantido controle total da pauta legislativa.
Nos bastidores, a oposição afirma que o prefeito mantém “cabresto político” sobre a maioria da Câmara, criando um ambiente em que nem pedidos formais de informação são aprovados, esvaziando o papel fiscalizador do Legislativo.
Fonte: Jornal MS Todo Dia
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