A prisão preventiva de Leonardo da Silva Thiele, empresário do ramo imobiliário, ocorrida no dia 10 de fevereiro, em Maringá (PR), acendeu o alerta também em Mato Grosso do Sul. Entre as vítimas está um morador de Costa Rica, que afirma ter perdido R$ 280 mil após comprar uma casa simples na Vila Nunes e um terreno do outro lado do rio - negócios que, mais tarde, descobriu serem sustentados por contrato falso.
A medida, com prazo inicial de 30 dias, foi decretada pela Justiça após pedido da Polícia Civil de Maringá. Segundo as investigações, a empresa continuava em funcionamento, o que poderia resultar em novas vítimas. De acordo com o delegado Fernando Garbelini, titular da Delegacia de Estelionatos, pelo menos 10 inquéritos foram instaurados na cidade. Até agora, dez vítimas foram oficialmente reconhecidas, mas o número pode aumentar. “É um golpe de milhões, mas a gente ainda não tem noção exata do total”, afirmou.
As denúncias apontam que o empresário oferecia oportunidades de investimentos imobiliários com promessa de alta rentabilidade. Conforme a polícia, ele era convincente e atraía clientes com propostas de ganhos elevados na compra e revenda de imóveis.
O morador de Costa Rica relatou que adquiriu, por cerca de R$ 280 mil, uma casa na Vila Nunes e um terreno na mesma região. O golpe só veio à tona quando ele encontrou o verdadeiro proprietário do imóvel, um senhor que estaria vendendo a casa para custear tratamento de saúde. “Perdi R$ 280 mil com ele. Hoje vamos fazer o boletim de ocorrência”, disse a vítima.
No município sul-mato-grossense, o investigado já havia atuado no mercado imobiliário por meio de empresa própria. EM MS, o empresário responde a processos por apropriação indébita e estelionato.
Em um dos casos, firmado em 2022, ele intermediou a venda de uma casa e um terreno, mas, embora tenha recebido mais de R$ 166 mil do comprador, repassou apenas R$ 37 mil ao proprietário, apropriando-se indevidamente da maior parte do valor, muito acima da comissão prevista em contrato.
Em outro processo, ele teria vendido três terrenos como se fossem próprios, recebendo R$ 137.550 da vítima. A compradora só descobriu a fraude ao procurar a imobiliária mencionada e ser informada de que o suspeito não fazia parte do quadro da empresa.
Já em outra investigação, ele teria se apresentado falsamente como representante de uma incorporadora para vender dois terrenos em Costa Rica. A vítima transferiu R$ 105 mil, mas nunca recebeu a documentação dos imóveis. O empresário foi denunciado por estelionato em concurso material.
Há ainda relatos de que ele teria enganado até o próprio irmão.
Investigação - A Polícia Civil do Paraná apura indícios de estelionato, uso de documentos falsos e apropriação indevida de valores. Como o suspeito não possui vínculos de origem com Maringá e já é investigado em Mato Grosso do Sul por crimes semelhantes, a expectativa é que novas vítimas procurem a delegacia nos próximos dias.
Fonte: MS Todo Dia
Foto: Reprodução Record
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