O marido e o filho de Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, tiveram a prisão temporária decretada por suspeita de matá-la a facada na madrugada deste domingo (22), no Bairro Senhor Divino, em Coxim, cidade a 253 quilômetros de Campo Grande. A decisão foi deferida pelo Poder Judiciário por 30 dias e os dois permanecerão presos.
Conforme informações da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, a partir de agora as investigações serão conduzidas pela DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) de Coxim. A autoridade policial representou pela prisão temporária diante das contradições apresentadas e dos elementos colhidos ao longo da apuração inicial.
De acordo com o laudo do exame necroscópico, a causa da morte procedeu-se em virtude de choque hemorrágico, como consequência da ação de agente perfurocortante. Nilza foi atingida na região abdominal, teve uma artéria lesionada e morreu ainda no local, após intensa hemorragia.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul trabalha com duas hipóteses para o feminicídio. A primeira é de que Nilza tentou apartar uma briga entre o marido e o filho e acabou atingida de forma não intencional. A segunda hipótese é a de que ela tenha sido esfaqueada de maneira deliberada.
O crime é o terceiro feminicídio registrado neste ano em Mato Grosso do Sul. Nilza foi encontrada sem vida dentro da residência, com indícios de luta. O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul esteve no imóvel e constatou o óbito.
Segundo o boletim de ocorrência, o marido, Márcio Pereira da Silva, de 46 anos, relatou à Polícia Militar de Mato Grosso do Sul que saiu de casa e deixou Nilza e o filho, Gabriel Lima da Silva, de 22 anos, na residência. Ao retornar, afirmou ter encontrado a mulher morta sobre um colchão na sala.
Contudo, ele apresentou duas versões sobre o ocorrido, alterando principalmente o horário dos fatos, e em ambas apontou o filho como autor do crime. Durante o atendimento, apresentou comportamento agressivo e foi detido para prestar esclarecimentos.
Gabriel foi localizado após deixar o imóvel e conduzido à delegacia às 9h50. Ele negou a autoria e acusou o pai de ter matado a mãe.
Imagens de câmeras de segurança de residências vizinhas registraram a movimentação dos envolvidos antes e depois do crime, inclusive no interior da casa. As gravações contribuíram para a apuração dos fatos e confrontaram as versões apresentadas.
Diante das contradições e dos elementos reunidos, a Polícia Civil solicitou a prisão temporária de marido e filho para assegurar o andamento das investigações. Foram requisitados exames periciais, incluindo o necroscópico e outras análises técnicas para esclarecer a dinâmica do crime. Assim que os demais laudos ficarem prontos ou o inquérito policial for concluído, novas informações deverão ser repassadas.
Nilza já havia denunciado o marido por ameaça e violência doméstica em abril de 2024. Em boletim registrado no dia 14 daquele mês, ela relatou ameaças constantes de morte, perseguições e agressões físicas e psicológicas. Segundo o documento, Márcio teria tomado o celular da vítima e expulsado Nilza e Gabriel de casa.
A mulher afirmou ainda que já havia sido ameaçada com faca, além de sofrer chutes, tapas e empurrões. Em uma das ocasiões, ele teria dito que “se não for minha, não será de mais ninguém”. Apesar das denúncias, Nilza optou por não representar criminalmente e nem solicitar medida protetiva.
Gabriel possui registros de atos infracionais, com anotações relacionadas à Lei Maria da Penha, como ameaça, lesão corporal e descumprimento de medida protetiva, além de furto. Há também boletim de ocorrência por ameaça registrado pelo pai em 18 de abril de 2024, quatro dias após ele e a mãe procurarem a delegacia.
Fonte: Campo Grande News
Foto: Arquivo familiar
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