Prefeito Walter Schlatter usa IA, distorce dados oficiais e é acusado de manipular população de Chapadão do Sul em vídeo

Vídeo omite que aliado Mika gastou mais de R$ 1,5 milhão em 11 dias e atribui narrativa à atual gestão; conteúdo manipulado levanta questionamentos sobre credibilidade do Executivo

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O episódio envolvendo o prefeito Walter Schlatter ganha contornos ainda mais graves quando se observa, com precisão matemática, a distorção dos dados apresentados à população — especialmente ao omitir quem efetivamente gerou a maior parte das despesas da Câmara Municipal de Chapadão do Sul. O conteúdo foi publicado em seu Instagram nesta terça-feira (28).

No vídeo divulgado, o prefeito tenta atribuir à atual gestão da Câmara, presidida por Marcelo Costa, um gasto superior a R$ 1,9 milhão. No entanto, os números oficiais do Portal da Transparência mostram outra realidade: o total de janeiro ultrapassa R$ 2 milhões (R$ 2.031.564,08), e a distribuição desses valores desmonta completamente a narrativa apresentada.

A gestão anterior, comandada pelo ex-presidente Cícero Barbosa (Mika)que integra a base política do próprio prefeito Walter Schlatter — foi responsável por um montante de R$ 1.558.143,88 em apenas 11 dias. Trata-se da maior fatia dos gastos do mês, concentrada em um período extremamente curto.

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Já a atual gestão, sob comando de Marcelo Costa, que assumiu apenas no dia 12 de janeiro, registra R$ 473.420,20 em 19 dias. Ou seja, mesmo tendo permanecido quase o dobro do tempo à frente do Legislativo, o atual presidente gerou um volume de despesas cerca de 70% menor que seu antecessor.

Imagem Cópia de Slides - Gênio da Lâmpada

A matemática é direta e expõe a inconsistência da narrativa:

  • Mika (base do prefeito): mais de R$ 1,5 milhão em 11 dias
  • Marcelo Costa (atual gestão): R$ 473 mil em 19 dias
  • Resultado: gasto significativamente menor na atual gestão, mesmo com mais tempo no cargo

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Walter Schlatter e o aliado, vereador Mika

Ainda assim, o conteúdo divulgado pelo prefeito ignora essa proporção e direciona a responsabilidade para quem assumiu após o maior volume de despesas já estar comprometido. Trata-se de uma inversão clara dos fatos, que altera a percepção pública ao omitir o elemento central da análise: quem gastou mais e em quanto tempo.

O uso de inteligência artificial no vídeo agrava o cenário. Ao apresentar um valor superior a R$ 1,9 milhão de forma isolada e associado à atual gestão, o material cria uma narrativa visual de impacto, porém desconectada da cronologia real dos gastos. Não é apenas uma divergência numérica — é uma reconstrução seletiva da informação.

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Prefeito utilizou imagem de Inteligência Artificial no vídeo

O episódio também expõe um padrão de confronto com o Legislativo. O vídeo divulgado faz parte de uma sequência de ataques a vereadores e inclui exposição considerada desrespeitosa, como no caso da vereadora Andréia Lourenço, que teve sua imagem utilizada em formato de “meme”, com o rosto encoberto por um círculoum gesto interpretado como ofensivo e incompatível com a postura institucional esperada de um chefe do Executivo, sobretudo por atingir uma representante feminina eleita.

Diante desse conjunto de ações — uso de IA, distorção de números, omissão de contexto e ataques diretos a parlamentares — o episódio levanta um questionamento central no campo da gestão pública: o que a população pode esperar de uma administração que apresenta dados oficiais de forma incompleta ou distorcida?

A credibilidade de um governo municipal está diretamente ligada à transparência e à responsabilidade na comunicação. Quando esses princípios são substituídos por narrativas seletivas, o impacto vai além do embate político — atinge a confiança pública e a própria integridade das instituições.

Fonte: Jornal MS Todo Dia.

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