O setor da pecuária brasileira enfrenta um cenário de incertezas após a União Europeia anunciar a suspensão das compras de carne bovina do Brasil a partir de setembro e diante da aproximação do limite de importações estabelecido pela China, principal destino da proteína brasileira.
A decisão europeia foi justificada pela alegação de que o Brasil não teria apresentado garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. Os medicamentos são utilizados no combate a bactérias e o bloco europeu exige rigorosos protocolos sanitários para a importação de alimentos.
Além do embargo europeu, o setor acompanha com preocupação a situação do mercado chinês. A expectativa é que a China deixe de importar cerca de 540 mil toneladas de carne bovina brasileira após atingir o limite de 1,1 milhão de toneladas estabelecido com base no volume adquirido no ano anterior. Caso a cota seja ultrapassada, poderá ser aplicada uma sobretaxa de 55% sobre a tarifa de importação vigente.
Para a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), a questão envolvendo a China é a que gera maior preocupação, já que o país asiático responde pela maior fatia das exportações brasileiras de carne bovina. Em 2025, aproximadamente 48% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil teve como destino o mercado chinês.
Representantes do setor avaliam que a redução das exportações pode aumentar a disponibilidade de carne no mercado interno. No entanto, especialistas acreditam que isso não deverá resultar em uma queda significativa dos preços ao consumidor, devido a fatores como custos de produção, logística, demanda doméstica e margens da cadeia produtiva.
O cenário reforça a necessidade de o Brasil ampliar mercados e buscar alternativas para reduzir a dependência de grandes compradores internacionais, especialmente em um momento de crescente pressão comercial e sanitária sobre o agronegócio nacional.
Fonte: Jornal MS Todo Dia
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