Gigante da celulose ameaça transferir investimento de R$ 27 bilhões para o Paraguai após impasse ambiental

Projeto bilionário da chilena CMPC no Rio Grande do Sul enfrenta questionamentos judiciais e pode deixar o Brasil caso não haja definição até o fim de 2026

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Um dos maiores investimentos privados previstos para a indústria brasileira de celulose está ameaçado de sair do país. A multinacional chilena CMPC avalia transferir para o Paraguai o chamado Projeto Natureza, uma megafábrica estimada entre R$ 25 bilhões e R$ 27 bilhões, diante de impasses relacionados ao licenciamento ambiental no Rio Grande do Sul.

O empreendimento está planejado para o município de Barra do Ribeiro e prevê capacidade de produção de 2,5 milhões de toneladas de celulose por ano, além da possibilidade de implantação de um terminal próprio no Porto de Rio Grande para escoamento da produção.

Segundo o diretor-geral da CMPC no Brasil, Antonio Lacerda, a empresa poderá rever seus planos caso o impasse não seja solucionado até o fim de 2026. A preocupação da companhia está relacionada à demora e à falta de previsibilidade no processo de licenciamento ambiental.

Licenciamento ambiental está no centro da disputa

O principal obstáculo ao avanço do projeto é uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal, que questiona aspectos do licenciamento ambiental da futura unidade industrial.

A discussão envolve a necessidade de realização da Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) junto a comunidades indígenas, quilombolas e pescadores potencialmente afetados pelo empreendimento. A exigência tem como base a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata dos direitos de povos e comunidades tradicionais.

A empresa argumenta que a ampliação das exigências e a indefinição jurídica comprometem o cronograma da obra e podem afastar fornecedores internacionais de tecnologia, provocando atrasos de até três anos.

Governo tenta evitar perda do investimento

Diante da relevância econômica do projeto, a Advocacia-Geral da União e a Casa Civil passaram a atuar na busca de uma solução para destravar o empreendimento. O governo federal considera a iniciativa estratégica para a economia gaúcha e para a expansão da indústria nacional de celulose.

Caso seja concretizado no Brasil, o Projeto Natureza deverá gerar milhares de empregos diretos e indiretos, fortalecer a cadeia florestal e ampliar a participação brasileira no mercado global de celulose.

Paraguai surge como alternativa

A possibilidade de transferência para o Paraguai tem chamado a atenção do setor produtivo. Segundo executivos da companhia, o país vizinho passou a ser visto como uma alternativa devido à maior previsibilidade regulatória, incentivos fiscais e processos de licenciamento considerados mais ágeis.

Especialistas avaliam que o caso evidencia um desafio recorrente do Brasil: equilibrar a proteção ambiental e os direitos das comunidades tradicionais com a necessidade de garantir segurança jurídica e competitividade para grandes investimentos.

Se a mudança de país for confirmada, o Brasil poderá perder um dos maiores aportes privados já anunciados para o setor florestal, além de empregos, arrecadação e oportunidades de desenvolvimento econômico ligadas à cadeia da celulose.

Fonte: Jornal MS Todo Dia, com informações Compre Rural

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