O governo federal anunciou, nesta terça-feira (6), a ampliação de 30% no total de recursos públicos investidos na infraestrutura dos chamados corredores do agro, que são as rodovias e ferrovias usadas para exportação dos principais produtos do agronegócio brasileiro.
De um total de R$ 3,6 bilhões investidos em 2023, o governo prevê investir R$ 4,7 bilhões neste ano. Em 2022, ainda segundo o Ministério dos Transportes, foi investido R$ 1,9 bilhão nos corredores do agro.
“O teto de gastos transformou o Brasil no país que menos investiu entre todas as economias relevantes. Se investe pouco, obviamente a infraestrutura piora. Agora ela está voltando a melhorar, mas ainda está recuperando um passivo desses últimos anos”, argumentou o ministro dos Transportes, Renan Filho.
Criado em 2016 durante o governo de Michel Temer, o teto de gastos limitou o aumento das despesas públicas à variação da inflação. No ano passado, o mecanismo foi substituído pelo novo arcabouço fiscal, que limitou os gastos à variação da receita do governo, possibilitando aumentar despesas quando há aumento de arrecadação.
O pacote de investimentos anunciado prevê 60 obras consideradas estruturantes, sendo R$ 2,66 bilhões para a infraestrutura do Arco Norte e R$ 2,05 bilhões para o Arco Sul/Sudeste. Entre as obras, estão previstas a retomada dos investimentos públicos na ferrovia Transnordestina, em Pernambuco, e das ferrovias FIOL 1 e 2 e a FICO, ligando Ilhéus, no litoral baiano, até Lucas do Rio Verde (MT).
“Vai criar esse corredor que estamos chamando de leste-oeste, que vai ligar Ilhéus (BA) até Agua Boa (MT), mas depois de Água Boa, com a FICO 2, até Lucas do Rio Verde (MT)”, disse o ministro, que acrescentou que a ideia é, no futuro, conectar a ferrovia transnordestina a ferrovia Norte-Sul
Arcos Norte e Sul
No Arco Norte, que envolve os estados do Norte, além de Mato Grosso, Bahia, Maranhão e Piauí, o ministério prevê, entre outras obras, duplicar a BR 135, no Maranhão, restaurar a BR 158, no Pará, recuperar a BR 242, na Bahia, além de construir as travessias de Itapoã do Oeste, Jaru e Ji-Paraná, em Rondônia, e a Ponte de Xambioá, em Tocantins.
Em relação à infraestrutura do Arco Sul/Sudeste, que engloba todo o Centro-Sul do Brasil, o governo prevê a conclusão da Ferrovia Norte Sul, a intensificação das obras da ferrovia FICO, além de duplicação da BR 163, do Paraná, das BRs 470 e 290, em Santa Catarina, e das BRs 116 e 386, no Rio Grande do Sul.
A meta do governo, de acordo com o ministro Renan Filho, é chegar a 90% da malha rodoviária do Arco Norte sendo considerada boa, com 80% das rodovias em boas condições em todo o país. A avaliação sobre a qualidade da malha rodoviária é feita pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) por meio do Índice de Composição da Manutenção (ICM).
Segundo o Ministério dos Transportes, foi possível aumentar de 52% para 80% o total das rodovias do Arco Norte consideradas em bom estado no período de dezembro de 2022 a dezembro de 2023.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, defendeu que a infraestrutura é o fator mais importante para a formação dos preços dos produtos. “A formação de preços está diretamente ligada ao custo de frete. Se nós não tivéssemos essas condições de rodovias, certamente a soja estaria abaixo do custo de produção”, destacou.
Leilões
Além dos investimentos públicos diretos em infraestrutura, o governo prevê realizar 13 leilões para concessões de estradas e pontes, com expectativa de investimentos de R$ 122 bilhões de reais. Desse total, R$ 95 bilhões estariam relacionados aos chamados corredores do agronegócio.
“Atrair o capital privado ajuda de duas maneiras: primeiro que quem paga deseja pagar para ter uma boa estrada. Ele não está reclamando desse ambiente. Lógico que é pagar uma tarifa justa dentro da realidade mercadológica da região e, por outro lado, não há recurso público disponível no Brasil no horizonte de médio prazo pelas restrições fiscais”, defendeu o ministro dos Transportes, Renan Filho.
Entre os leilões previstos, estão o da concessão da BR 262, de Minas Gerais, da BR 040, entre Minas Gerais e Goiás, e das BRs 070, 174, 364 entre Mato Grosso e Rondônia.
Portos e Aeroportos
O governo também detalhou nesta terça-feira (6) os investimentos em portos e aeroportos para os próximos anos. O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, prevê investir, em 2024, R$ 639 milhões em portos e hidrovias, além de criar a Secretaria Nacional de Hidrovias e Transporte Aquaviário.
“O Brasil hoje tem 19 mil quilômetros de hidrovias navegáveis, com potencial de chegarmos a 42 mil nesses próximos oito ou dez anos. Isso significa reduzir custos nas operações, dialogar com a agenda ambiental e ajudar a potencializar o escoamento da produção brasileira”, destacou Silvio Costa Filho.
A pasta de Portos e Aeroportos ainda tem como meta realizar, até 2026, 35 leilões de infraestrutura com previsão de arrecadar R$ 14,5 bilhões em investimentos no setor. Outros R$ 23 bilhões são previstos por meio das renovações e prorrogações de contratos de arrendamento e outros R$ 41 bilhões com novas autorizações de contratos de adesão.
“Estamos falando em R$ 78 bilhões de novos arrendamentos, renovações, prorrogações e novas autorizações. É um volume muito grande e isso vai potencializar muito a economia brasileira e vai ajudar no escoamento da nossa produção”, comentou.
Fonte: Agência Brasil
Foto: Fabio Rodrigues/Pozzebom/Agência Brasil
Você também pode gostar de ler
JBS fecha duas unidades nos EUA após país registrar menor rebanho bovino dos últimos 75 anos
Escassez histórica de bovinos pressiona a indústria americana e leva empresas a reduzir capacidade de processamento
Publicado em 16/06/2026 às 09:13 - Atualizado em 16/06/2026 às 09:14 - Por Gabi Ferreira
Gigante da celulose ameaça transferir investimento de R$ 27 bilhões para o Paraguai após impasse ambiental
Projeto bilionário da chilena CMPC no Rio Grande do Sul enfrenta questionamentos judiciais e pode deixar o Brasil caso não haja definição até o fim de 2026
Publicado em 16/06/2026 às 07:49 - Atualizado em 16/06/2026 às 07:50 - Por Gabi Ferreira
China e União Europeia ameaçam exportações de carne bovina do Brasil
Mesmo com possível aumento da oferta no mercado interno, especialistas não esperam redução significativa dos preços para os consumidores
Publicado em 01/06/2026 às 10:01 - Atualizado em 01/06/2026 às 10:14 - Por Gabi Ferreira
Nesta quinta-feira: Workshop do Sebrae em Cassilândia ensina produtores a reduzir custos e melhorar resultados
Evento gratuito nesta quinta (7) aborda gestão financeira e estratégias para aumentar a produtividade no campo
Publicado em 05/05/2026 às 14:02 - Atualizado em 05/05/2026 às 14:09 - Por Murilo Mendes
MS encerra colheita do milho com produção recorde de 14,2 milhões de toneladas
Chapadão do Sul apresentou a maior produtividade, com 173,34 sacas por hectare, seguido de Sonora e São Gabriel do Oeste
Publicado em 01/10/2025 às 15:34 - Atualizado em 01/10/2025 às 15:36 - Por Felipe Dias
MS inicia plantio da safra de soja 2025/2026 com expectativa de 15,2 milhões de toneladas
Área cultivada deve crescer 5,9% e custos elevados de insumos exigem cautela dos produtores
Publicado em 16/09/2025 às 16:03 - Atualizado em 16/09/2025 às 16:25 - Por Felipe Dias
Suinocultura do MS aposta na sustentabilidade e discute futuro do setor em workshop
Evento reuniu produtores, empresas e autoridades para debater biogás, adubação orgânica, crédito ambiental e mercado de carbono
Publicado em 11/09/2025 às 14:16 - Atualizado em 11/09/2025 às 14:32 - Por Felipe Dias
Colheita do milho da 2ª safra chega a 97% em Mato Grosso do Sul
Boletim da Aprosoja aponta produtividade 68% maior que no ciclo anterior, apesar de perdas por geadas e ventanias
Publicado em 10/09/2025 às 16:08 - Atualizado em 10/09/2025 às 16:10 - Por Felipe Dias