A Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica e da Gerência de Doenças Endêmicas, confirmou nesta quarta-feira (14) o primeiro caso autóctone de Febre do Oropouche em Mato Grosso do Sul. O caso foi registrado em abril, envolvendo um homem de 52 anos, residente em Itaporã, que já se encontra recuperado.
A Febre do Oropouche é uma doença causada por um arbovírus identificado pela primeira vez no Brasil em 1960. Embora os casos sejam mais comuns na região amazônica, surtos já foram relatados em outras partes do Brasil e em países da América Central e do Sul, como Panamá, Argentina, Bolívia, Equador, Peru e Venezuela.
O homem de 52 anos procurou atendimento médico no dia 4 de abril em Itaporã, relatando sintomas como cefaleia e mialgia. Uma amostra de sangue foi coletada no dia seguinte e enviada ao Lacen, que inicialmente testou negativo para dengue, zika e chikungunya. Posteriormente, em 21 de julho, a amostra foi submetida a uma nova estratégia de detecção, que resultou positiva para a arbovirose Oropouche.
Após a confirmação, a Vigilância Municipal realizou uma investigação detalhada para determinar possíveis fontes de infecção, incluindo histórico de viagens, visitas a áreas de mata e contato com pessoas de outras regiões. Com todas as possibilidades descartadas, concluiu-se que a transmissão foi autóctone.
Casos autóctones são aqueles que se originam no mesmo local onde o diagnóstico é realizado. "A transmissão autóctone indica que o caso diagnosticado se originou na mesma região onde a pessoa reside, ao contrário de casos importados, onde a doença é trazida de outras áreas", explicou Jéssica.
Apesar da confirmação, Jéssica Klener Lemos dos Santos, gerente técnica estadual de Doenças Endêmicas da SES, ressaltou que não há motivo para pânico.
"A confirmação do caso com transmissão autóctone é resultado das medidas de vigilância reforçadas no estado. Desde junho, 818 amostras negativas para o protocolo ZDC foram testadas pelo Lacen, e apenas duas resultaram positivas para Oropouche", afirmou.
De acordo com Jéssica, desde que o primeiro caso importado foi confirmado no estado em junho, uma série de ações foram implementadas em parceria com os municípios. Essas medidas incluíram a sistematização de informações sobre casos suspeitos e confirmados, coleta de amostras de pacientes para análise pelo Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública de Mato Grosso do Sul), com o objetivo de fortalecer a vigilância da doença.
Transmissão e prevenção
A doença é transmitida principalmente por vetores como o mosquito Culicoides paraenses, também conhecido como maruim ou mosquito-pólvora. Existem dois ciclos de transmissão: o ciclo silvestre, onde animais como bichos-preguiça e macacos são os principais hospedeiros, e o ciclo urbano, onde os humanos são os principais hospedeiros.
Os sintomas da Febre do Oropouche são semelhantes aos da dengue e chikungunya, incluindo dor de cabeça, dores musculares e articulares, náusea e diarreia. Não existe tratamento específico, sendo recomendado repouso, hidratação e acompanhamento médico.
Com o aumento significativo de casos no Brasil, que já somam 7.653 em 2024, a população deve ficar atenta aos sintomas e procurar atendimento médico imediato. A prevenção envolve evitar áreas infestadas por maruins e adotar medidas de proteção individual e coletiva.
O Brasil tem observado um aumento significativo nos casos de Febre Oropouche, com 7.653 casos confirmados em 2024 e dois óbitos relacionados à doença. Em 2023, foram registrados 831 casos.
Fonte: MS Todo Dia
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