As mudanças climáticas têm gerado impactos significativos na agricultura, uma das principais atividades econômicas de Mato Grosso do Sul. De acordo com um estudo realizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisas Ambientais), a produção de soja tem sido afetada negativamente pelo aumento da temperatura, resultando em uma redução de 6% no rendimento do grão para cada 1°C de aumento na temperatura.
A Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) apresentou dados baseados no histórico da produção de soja no estado nos últimos 10 anos, mostrando uma queda na produtividade durante períodos de irregularidade de chuvas.
A safra de soja 2021/2022 apresentou um preço médio de comercialização de R$ 168,34 por saca de 60 kg, resultando em uma produção total de R$ 24,4 bilhões para 8,692 milhões de toneladas. No entanto, a estimativa inicial era de uma produção de 12,773 milhões de toneladas, o que representaria um valor de R$ 35,8 bilhões. Essa diferença de R$ 11,4 bilhões reflete uma redução de 31,84% na produtividade da soja durante o período de déficit hídrico em Mato Grosso do Sul.
Os produtores relatam que os períodos de seca têm levado à concentração fundiária e ao endividamento, pois as tecnologias agrícolas atuais não são suficientes para lidar com o calor extremo, criando uma dependência de investimentos em irrigação. Isso levanta questões sobre a sustentabilidade futura desse sistema agrícola intensivo em capital se não houver avanços na adaptação.
A expansão agrícola recente no Cerrado, onde aproximadamente 15% dos estabelecimentos agropecuários do Brasil estão localizados, foi focada principalmente na cultura da soja. No entanto, secas registradas em 2015 e 2016 reduziram a produtividade média em 33% no bioma, de acordo com o IBGE.
Diante desse cenário, especialistas ressaltam a importância de os agricultores adotarem práticas agrícolas mais sustentáveis e adaptadas ao clima futuro. O uso de variedades de soja resistentes e técnicas de conservação do solo, como as recomendadas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), podem ajudar a enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
O pesquisador Éder Comunello, da Embrapa Agropecuária Oeste, alerta que os efeitos adversos no rendimento da soja ocorrem principalmente devido às alterações nos padrões de chuvas e temperaturas, podendo também influenciar na proliferação de pragas e doenças. O Zarc, por sua vez, é uma importante ferramenta de análise de risco que auxilia os agricultores na tomada de decisão, considerando a probabilidade de ocorrência de adversidades climáticas durante o ciclo de cultivo.
Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado
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