A cidade de Inocência viveu nesta terça-feira (9) um marco histórico com o lançamento da pedra fundamental da fábrica de celulose da chilena Arauco, em evento que reuniu autoridades como o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o governador Eduardo Riedel, parlamentares, empresários e diretores da multinacional.
O empreendimento, batizado de Projeto Sucuriú, está sendo construído às margens da MS-377, a aproximadamente 50 km do centro urbano de Inocência. Com investimento de US$ 4,6 bilhões (cerca de R$ 30 bilhões), a nova planta será a maior fábrica de celulose do mundo instalada em uma única etapa e o maior investimento já feito pela Arauco em 50 anos de história, sendo 23 deles com atuação no Brasil.
Desde a metade de 2024, a área de implantação da fábrica vinha passando por intensas obras de terraplanagem e infraestrutura básica. A região já contava com alojamentos, cercamento e serviços preliminares, que agora entram em nova fase com o início da construção efetiva. A expectativa é que, no auge das obras, cerca de 14 mil trabalhadores estejam mobilizados no canteiro.
A previsão é que a fábrica entre em operação no último trimestre de 2027. A planta terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano. O maquinário será fornecido pela finlandesa Valmet e a captação de água será feita do Rio Sucuriú — em ponto anterior à devolução do efluente tratado, respeitando as normas ambientais.
Impacto regional e geração de empregos
De acordo com o CEO da Arauco global, Cristian Infante, a nova unidade marca uma virada de chave para a empresa e para o Mato Grosso do Sul. “Este é o maior investimento da história da Arauco. O Projeto Sucuriú nos projeta para um futuro promissor. O Estado nos deu condições excepcionais de crescimento florestal, logística e parceria com empresas locais. Inocência entra agora em um círculo virtuoso de prosperidade”, afirmou.
Além dos 14 mil trabalhadores na fase de obras, a fábrica deve empregar mil trabalhadores diretamente, 2 mil na logística e 3 mil nas florestas, totalizando 6 mil empregos permanentes. O CEO da Arauco no Brasil, Carlos Altimiras, reforçou: “Este projeto vai gerar 100 mil empregos diretos e indiretos. É uma transformação positiva para a cidade e para o Estado”.
Com pouco mais de 8 mil habitantes atualmente, Inocência já sente os reflexos da chegada da nova fábrica. Desde o anúncio, houve aumento nos preços do setor imobiliário, surgimento de novas construções residenciais e comerciais e maior movimentação de trabalhadores em busca de oportunidades. A expectativa é que a população local chegue a 14 mil pessoas nos próximos anos.
Para atender essa nova realidade, o Governo do Estado destinou um terreno para construção de um conjunto com 700 moradias. Também está em andamento a ampliação da subestação de energia da cidade, além de melhorias nas rodovias MS-377 e MS-320, com recapeamento, faixas adicionais e reforço no pavimento.
A Energisa, responsável pelo fornecimento de energia, revelou que a cidade consome hoje cerca de 2,5 megawatts, e somente os alojamentos elevarão a demanda para 10 MW. A fábrica, por sua vez, terá consumo estimado de 140 MW. “Estamos triplicando nossas equipes e atuando desde o início do planejamento, há mais de três anos, para garantir segurança no fornecimento”, afirmou o diretor-presidente da Energisa, Paulo Roberto dos Santos.
Estrutura ambiental, logística e apoio do governo
A Arauco já possui cerca de 400 mil hectares de eucalipto plantados em Mato Grosso do Sul para abastecimento da nova fábrica. Por ser estrangeira, a empresa optou por firmar contratos com fazendeiros locais em vez de adquirir as terras.
Para exportar a produção, praticamente toda voltada ao mercado externo, a empresa construirá um trecho de 47 quilômetros de trilhos até a região de Aparecida do Taboado, onde será feita a conexão com a malha da Ferronorte, que leva os produtos até o Porto de Santos (SP).
Durante o evento, Alckmin defendeu a importância dos investimentos em indústria de base como forma de geração de empregos e melhoria da renda, citando a produção de energia limpa a partir de resíduos de madeira como uma das vantagens da indústria de celulose. “Precisamos apoiar a modernização industrial com políticas tributárias inteligentes. A reforma tributária, segundo o IPEA, trará aumento de 14% nos investimentos e 17% nas exportações. E isso significa mais emprego e renda”, disse o vice-presidente.
O governador Eduardo Riedel destacou que o projeto é fruto de uma articulação que uniu governos, setor privado e sociedade civil. Ele mencionou que visitou uma unidade da Arauco no Chile, onde pôde conhecer o impacto positivo da fábrica no entorno. Também reafirmou o compromisso do Estado com a infraestrutura: “Estamos recapando a rodovia de acesso e entregaremos um aeródromo. Também trabalhamos com a empresa na construção de moradias para os trabalhadores”.
Em entrevista coletiva, os diretores da Arauco informaram que a empresa e o governo estadual realizaram estudos para mapear nove áreas de pressão social decorrentes da chegada do empreendimento. Saúde, educação, segurança pública e assistência social foram apontadas como as mais sensíveis.
A chamada “partida da CLAM” — referência à ativação da planta — exigirá reforço de serviços públicos. O plano estratégico de investimento da Arauco, elaborado em conjunto com Estado e município, prevê ações mitigadoras e estruturantes para minimizar os impactos.
Outras fábricas e expansão do setor no Estado
A nova unidade da Arauco será a quinta fábrica de celulose de Mato Grosso do Sul. Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, onde estão instaladas outras unidades do setor, serviram como exemplo para os estudos da Energisa sobre fornecimento de energia e estrutura de suporte.
Além disso, há tratativas para a possível instalação de uma sexta fábrica, pela Bracell, em Água Clara ou Bataguassu. A decisão depende da viabilidade logística. A senadora Soraya Thronicke já se reuniu com representantes da empresa e discutiu investimentos em infraestrutura viária para viabilizar a unidade.
A solenidade que marcou o início das obras ocorreu sob uma grande tenda montada na área da fábrica. Participaram do evento a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, o ex-governador Reinaldo Azambuja, o atual prefeito de Inocência, Antônio Ângelo Garcia dos Santos, além de deputados estaduais, federais, representantes do Senado, lideranças empresariais e o embaixador do Chile no Brasil, Sebastián de Polo.
O prefeito da cidade celebrou o momento como o “maior sonho de nosso tempo” e projetou que Inocência se tornará a “rainha da costa leste”, em referência ao protagonismo econômico que a cidade deve assumir com a chegada do empreendimento.
Fonte: CG news/ MS Todo Dia
Fotos: CG News/Marcos Maluf
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