A cachoeira Água Branca, uma das paisagens naturais mais emblemáticas de Pedro Gomes, está oficialmente protegida. A medida foi formalizada na quinta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, com a assinatura da Portaria nº 2.081 do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), que criou a RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) Água Branca.
A decisão encerra definitivamente o risco da instalação de uma represa hidrelétrica que, por quase duas décadas, ameaçou o local. Com 29,26 hectares, a reserva está localizada na Estância Dallas, propriedade do produtor rural Nelson Mira Martins e sua esposa, Edir Martins Mira, que agora serão responsáveis pela administração da unidade de conservação.
A RPPN garante proteção legal à cachoeira, considerada a segunda maior de Mato Grosso do Sul, com mais de 80 metros de queda livre.
O risco à integridade da paisagem natural começou nos anos 2000, com um projeto de PCH (Pequena Central Hidrelétrica) no córrego Cipó. A barragem previa o desvio de até 80% do fluxo de água, o que comprometeria a beleza cênica, a biodiversidade e o potencial turístico da cachoeira.
O projeto chegou a obter licença prévia do Imasul em 2021, mas foi suspenso em maio de 2024 após forte pressão de moradores, do MPMS (Ministério Público de MS) e entidades ambientais. O desfecho é considerado uma vitória histórica para a conservação ambiental na Serra de Maracaju.
Localizada a cerca de 10 km da nascente do córrego Cipó, a cachoeira está inserida na sub-bacia Piquiri-Correntes, que abastece o Pantanal, e faz parte do Corredor de Biodiversidade Emas-Taquari, área prioritária para preservação.
A luta pela proteção teve início com o próprio Nelson, que comprou as terras nos anos 1980 já com a intenção de preservar a cachoeira. Em 1991, ele adquiriu o lote onde está a queda d’água, e recusou todas as propostas de implantação da usina. “Ia investir como? Aí ficou dez anos essa briga”, declarou ele ao portal Ecoa, lembrando as visitas de peritos e técnicos durante o processo.
A área da RPPN abriga vegetação semelhante à Mata Atlântica de interior, com fauna rica, incluindo espécies de aves migratórias que usam o local como refúgio. A proteção definitiva da área também abre caminho para o desenvolvimento do turismo sustentável em Pedro Gomes.
Nelson pretende agora tirar do papel um antigo plano de construir uma pousada, que incluirá trilhas ecológicas, observação de aves, rapel e exploração de cavernas ainda inexploradas.
A próxima etapa será a elaboração do plano de manejo da RPPN, documento que definirá limites de visitação, infraestrutura e estratégias de preservação. A implantação de trilhas, sinalização, energia e internet dependerá da aprovação desse plano.
Além da conservação, a criação da RPPN pode trazer benefícios econômicos indiretos ao município, por meio do ICMS Ecológico, mecanismo que distribui recursos a cidades que mantêm áreas protegidas. Para Pedro Gomes, é uma oportunidade de diversificar a economia local com base na valorização ambiental.
Fonte: MS Todo Dia
Fotos: Fernanda Cano/Acervo Ecoa
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