Com recursos públicos escassos para obras de infraestrutura, o Governo de Mato Grosso do Sul aposta na iniciativa privada para tirar do papel projetos aeroportuários em várias regiões do Estado. O plano inclui o leilão de nove aeroportos regionais — entre eles, os de Coxim e Chapadão do Sul — com potencial para movimentar mais de R$ 150 milhões em investimentos privados.
A proposta integra um estudo de pré-viabilidade conduzido pelo EPE (Escritório de Parcerias Estratégicas) em parceria com a Infra S.A., estatal federal vinculada ao Ministério dos Transportes. O objetivo é fomentar o desenvolvimento da aviação regional sem onerar os cofres públicos estaduais e municipais.
O estudo, apresentado em 2 de outubro na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), mapeou 20 aeroportos regionais de Mato Grosso do Sul e apontou que apenas nove têm viabilidade econômica imediata para concessão: Campo Grande (Estância Santa Maria), Bonito, Três Lagoas, Chapadão do Sul, Dourados, Coxim, Porto Murtinho, Naviraí e Nova Andradina.
Segundo o superintendente de Projetos Aeroportuários da Infra S.A., Cícero Melo Filho, o investimento estimado em R$ 150 milhões poderá variar conforme as necessidades de cada terminal. “Nas diversas simulações de cenários montados com os aeroportos, selecionamos nove que apontaram os melhores resultados de valuation. Conversamos com quatro empresas interessadas, reunimos dados e chegamos a esse resultado”, explicou.
Após a apresentação na B3, foram realizadas reuniões técnicas entre representantes da Infra S.A., do EPE e investidores para esclarecer dúvidas e coletar sugestões. Os próximos passos dependem da decisão do Governo do Estado, que deve autorizar a elaboração do EVTEA (Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental) e, depois, a realização do leilão, ainda sem data definida.
Modelo de concessão
O eventual leilão seguirá o modelo de concessões públicas, em que o Estado não vende o aeroporto, mas concede o direito de administrá-lo à iniciativa privada por um período — geralmente entre 20 e 30 anos. Nesse tempo, a concessionária investe em obras, modernização e ampliação, opera o terminal e paga outorga ao Estado. O ativo permanece público, mas a gestão é privada.
A ideia é substituir parcialmente o plano aeroviário estadual de R$ 250 milhões, anunciado em abril de 2023, que previa obras em dezenas de municípios até 2026 com recursos públicos. Agora, a meta é que parte dessa estrutura seja desenvolvida com o apoio do capital privado.
Os nove aeroportos que integram o estudo devem beneficiar cerca de 2 milhões de pessoas em áreas estratégicas do agronegócio, turismo e indústria. O fluxo potencial estimado é de até 150 mil passageiros por ano, fortalecendo a malha aérea estadual e conectando os polos regionais à rede nacional.
Interesse do mercado
De acordo com Cícero Melo Filho, quatro empresas brasileiras demonstraram interesse na operação dos aeroportos. Todas já possuem experiência na administração de terminais de pequeno porte em estados como São Paulo, Mato Grosso e na região Norte.
O estudo também avaliou a demanda reprimida por transporte aéreo nos municípios, especialmente em regiões com forte desempenho econômico. O PIB de Mato Grosso do Sul, impulsionado pelo agronegócio e pela indústria de celulose, deve crescer mais de 4% em 2025, acima da média nacional projetada de 2,3%.
“Esses municípios têm renda em ascensão, puxada pelo agronegócio e pela pecuária, mas não são atendidos pelos aeroportos locais”, destacou o superintendente. Hoje, a maioria dos terminais regionais é utilizada apenas pela aviação geral e agrícola, sem voos comerciais regulares, com exceção de Bonito e Dourados.
O plano também prevê a criação de uma malha aérea integrada, em modelo de PPP (Parceria Público-Privada), com blocos de aeroportos interligados. A análise inclui diagnóstico de infraestrutura, projeções de carga e passageiros e estudo financeiro detalhado.
“Pensados como uma rede, esses aeroportos ‘param de pé’. A sondagem de mercado mostrou interesse e críticas construtivas, que agora serão incorporadas ao estudo”, disse Melo Filho.
Estrutura e prioridades
O investimento de R$ 150 milhões deve priorizar obras em terminais de passageiros, ampliação de pistas, balizamento noturno, sinalização, cercas operacionais e construção de áreas técnicas de combate a incêndios, algumas ainda inexistentes.
A expectativa é que, com a expansão da estrutura, aeroportos como os de Coxim e Chapadão do Sul passem a receber voos comerciais de pequeno porte, especialmente de companhias como a Azul Conecta, voltadas à aviação regional.
O modelo proposto segue o conceito hub and spoke (centro e raios), em que aeroportos menores enviam passageiros a um terminal principal — no caso, Campo Grande, de onde partem voos nacionais.
Investimentos em andamento
Em nota, o EPE e a Secretaria de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso do Sul (Seilog) informaram que o Estado já investiu R$ 143 milhões em obras concluídas desde 2023, dentro do Plano Logístico Aeroviário.
O programa tem como meta fortalecer a logística integrada e ampliar a conectividade aérea. “Vários municípios já foram contemplados, com projetos técnicos contratados e obras em andamento. As intervenções incluem pavimentação e ampliação de pistas, construção de terminais, balizamento e sinalização aeroportuária”, diz o comunicado.
O EPE confirmou que os estudos de pré-viabilidade dos nove aeroportos estão em análise interna “para avaliar se entrarão na carteira de projetos do Programa Estadual de Parcerias (PROP/MS)”.
Se aprovado, o plano colocará Mato Grosso do Sul na rota dos grandes projetos de concessão aeroportuária do país — com Coxim, Chapadão do Sul e outras sete cidades entre as primeiras candidatas a receber investimentos privados no setor.
Fonte: MS Todo Dia
Foto: Divulgação
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