Uma moradora de Ribas do Rio Pardo viveu uma experiência marcante ao se tornar doadora de medula óssea após ser convocada pelo Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). O transplante, destinado a um paciente brasileiro, foi realizado em 28 de outubro de 2025.
O cadastro dela como doadora foi feito anos antes, quando tinha 18 anos, durante uma campanha realizada no município. Na época, ela já participava de ações de doação de sangue promovidas por voluntários do Rotary International.
“Eu tinha 17 anos quando consegui doar sangue pela primeira vez”, relembra.
Pouco tempo depois, decidiu também se cadastrar como doadora de medula óssea. Mesmo com dúvidas no início, optou por autorizar a inclusão dos dados no banco nacional.
“Perguntei se doía. Me explicaram que naquele momento era apenas o cadastro e que a chance de compatibilidade era pequena, mas que, se acontecesse, entrariam em contato”, contou.
O telefonema inesperado
No ano passado, ela recebeu uma mensagem perguntando se poderia ir até Campo Grande para realizar exames após surgir uma possível compatibilidade. Ainda não era garantia de doação.
Após a coleta de sangue, começou a espera pela confirmação, que poderia levar até 180 dias. A resposta chegou poucos dias antes do prazo final.
“Quando me perguntaram se eu queria continuar, eu disse sim na hora”, afirmou.
Mãe de Liz, de 7 anos, e Leonardo, que na época tinha 1 ano e 7 meses, ela precisou reorganizar a rotina da família para viajar e permanecer vários dias fora de casa.
“Não hesitei, mas logo pensei em como ficariam meus filhos”, disse.
Como funciona a doação
Ela foi encaminhada para São Paulo, onde realizou exames complementares e recebeu orientações médicas sobre o procedimento.
No caso dela, foi utilizado o método de aférese, em que o doador utiliza medicação por alguns dias para aumentar o número de células-tronco na corrente sanguínea. Depois, o sangue é coletado por uma máquina que separa as células necessárias e devolve o restante ao organismo.
Todo o procedimento foi realizado em centro especializado e custeado pelo Redome, ligado ao Instituto Nacional de Câncer (INCA) e ao Ministério da Saúde.
A coleta durou cerca de seis horas.
“Eles explicam tudo com muita clareza. Me senti segura o tempo todo”, relatou.
Nove dias longe da família
Ao todo, ela permaneceu nove dias em São Paulo. A parte mais difícil foi ficar longe dos filhos.
“Ficar nove dias longe deles pesou muito. Meu filho ainda era muito pequeno. O apego é muito forte, mas eu sabia que era por uma causa valiosa”, disse.
Havia ainda a possibilidade de uma segunda coleta, caso a quantidade de células não fosse suficiente. Quando recebeu a notícia de que o procedimento havia sido bem-sucedido, a emoção tomou conta.
“Quando a médica disse que tinha dado certo e que não precisaria repetir, eu desabei”, contou.
Anonimato e esperança
Pelas regras do sistema de doação, o doador não recebe informações detalhadas sobre o receptor. Ela sabe apenas que o paciente é brasileiro.
“A gente pensa na pessoa que está do outro lado esperando. Espero que esteja bem e que isso tenha sido um recomeço para ela”, afirmou.
Ao final do processo, recebeu uma camiseta simbólica de doadora de medula óssea.
“É uma experiência única. Vou lembrar para sempre com muito carinho.”
Incentivo à doação
De volta à rotina de trabalho em uma loja de roupas infantis em Ribas do Rio Pardo, ela decidiu compartilhar a história para incentivar outras pessoas.
“Doem sangue. Se cadastrem como doadores de medula óssea. Isso pode mudar completamente a vida de alguém.”
Como se tornar doador
A medula óssea é responsável pela produção das células do sangue, e o transplante é indicado para pacientes com doenças que afetam esse sistema.
Para se cadastrar como doador voluntário é necessário:
Ter entre 18 e 35 anos e 9 meses
Não possuir doenças infecciosas ou incapacitantes
Não apresentar doenças neoplásicas, hematológicas ou do sistema imunológico
Quando ocorre compatibilidade com um paciente, o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea entra em contato com o doador e todo o procedimento é custeado pelo sistema público de saúde.
Em Mato Grosso do Sul, o cadastro pode ser realizado nas unidades da Rede Hemosul em Campo Grande e em cidades do interior.
Segundo a chefe do setor de captação do Hemosul, Lucéia Fernandes, somente em 2024 sete pessoas de Mato Grosso do Sul efetivaram a doação de medula óssea.
“Atualmente o Estado soma 197.502 cadastros de doadores voluntários registrados entre 2001 e 2025. Cada novo cadastro representa uma possibilidade real de compatibilidade para quem aguarda um transplante”, destacou.
Fonte e fotos: Comunicação SES
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