Pirarucu é classificado como invasor e tem pesca liberada no Pantanal

Espécie invasora poderá ser capturada sem limite em Mato Grosso do Sul, segundo norma do Ibama

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A presença do pirarucu fora da Amazônia passou a ser tratada como um problema ambiental no Brasil e pode ter impacto direto em Mato Grosso do Sul. Norma publicada nesta quinta-feira (19) pelo Ibama autoriza a pesca, captura e abate da espécie sem limite em regiões onde ela não é nativa, incluindo a Bacia do Paraguai, onde está o Pantanal.

Com a medida, o pirarucu passa a ser considerado espécie invasora quando encontrado fora de sua área natural. Na prática, isso significa que, ao ser identificado em rios de Mato Grosso do Sul, poderá ser capturado durante todo o ano, sem restrição de tamanho ou quantidade. A norma também determina que os exemplares não podem ser devolvidos ao ambiente — todo peixe capturado deve ser abatido como forma de controle populacional.

Originário da região amazônica, o pirarucu é um dos maiores peixes de água doce do mundo. Fora desse ambiente, especialistas alertam que ele pode competir com espécies nativas e provocar desequilíbrios no ecossistema, principalmente por ser predador e de grande porte.

O risco já não é apenas teórico. Registros recentes apontam a presença do peixe fora de seu habitat natural, inclusive na região pantaneira. Levantamento citado pelo jornal O Estado de S. Paulo, em 2025, indicou capturas do pirarucu em rios da Bacia do Prata, como os rios Cuiabá e Paraguai, além de ocorrências em Mato Grosso do Sul.

A expansão da espécie tem sido associada, em parte, à criação em cativeiro fora da Amazônia, o que facilita sua introdução em novos ambientes. Apesar da liberação ampla para pesca, a norma estabelece uma limitação comercial: o peixe capturado só poderá ser vendido dentro do estado onde foi retirado. Caso seja comercializado fora da unidade de origem, o produto poderá ser apreendido.

A medida abre possibilidade de exploração econômica local, mas também acende um alerta ambiental. A presença do pirarucu em rios do Pantanal pode afetar diretamente espécies nativas e comprometer o equilíbrio do ecossistema.

O Ibama também prevê que, em casos de captura por empresas ou ações organizadas, será necessária autorização prévia do órgão ambiental.

Fonte: Campo Grande News 

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