Com saldo milionário no Fundeb, professores questionam Prefeitura de Chapadão do Sul sobre atraso no retroativo

Professores dizem que promessa ficou no papel, cobram respeito da Prefeitura e denunciam descaso com quem sustenta a Educação municipal.

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Professores da rede municipal de Chapadão do Sul foram às ruas no fim da tarde desta quinta-feira (30) para cobrar o pagamento de valores retroativos referentes ao reajuste da categoria e denunciar o que classificam como falta de valorização por parte da gestão municipal. A manifestação reuniu mais de 70 profissionais na avenida dois e contou com a presença do presidente da Câmara Municipal, vereador Marcelo Costa, e do vice-presidente, vereador Júnior Teixeira, que estiveram no local em apoio à classe dos professores.

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Durante o ato, o presidente da Câmara, Marcelo Costa, afirmou que o Legislativo acompanha a situação e está ao lado dos profissionais da Educação na busca pelo cumprimento dos direitos da categoria.

“A Câmara está junto com a classe dos professores, buscando aquilo que é direito deles. Valorizar os professores é reconhecer a importância dessa categoria para a nossa população. A Educação é a base do desenvolvimento de uma cidade, e esses profissionais precisam ser respeitados e valorizados”, destacou Vereador Marcelo Costa.

O vice-presidente da Câmara, vereador Júnior Teixeira, também criticou a condução da gestão municipal e cobrou providências do prefeito Walter Schillater. Segundo ele, há uma sequência de compromissos que não teriam sido cumpridos com a categoria.

“Isso demonstra falta de comprometimento da gestão municipal. Em 2025, havia o compromisso de devolução dos recursos do Fundeb aos professores, e isso não aconteceu. Agora, em 2026, até o momento, não foi pago o retroativo, mesmo após promessa de reajuste. Prefeito, vamos trabalhar. Os professores estão aqui fazendo manifestação por aquilo que é direito deles. Acorda para a vida. Vamos valorizar o ensino fundamental, valorizar os professores, porque isso é investimento na nossa população e no desenvolvimento pessoal dos nossos alunos”, afirmou Júnior Teixeira.

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Segundo professores ouvidos pela reportagem do MS Todo Dia, a administração municipal aprovou o PL 016/2026, definindo que os valores corrigidos e os retroativos referentes aos meses de janeiro, fevereiro, março e abril seriam pagos junto ao salário de abril, recebido em maio. No entanto, a categoria afirma que o retroativo não foi depositado.

A Prefeitura, conforme relatam os servidores, teria se amparado em trecho da própria legislação que prevê, em caráter de excepcionalidade, a possibilidade de pagamento até o último dia útil de junho, observada a disponibilidade orçamentária e financeira. Para os professores, porém, a justificativa não convence.

A principal crítica da categoria é que, segundo os manifestantes, não houve queda de arrecadação, tragédia, emergência administrativa ou qualquer situação extraordinária que justificasse o adiamento. O entendimento dos servidores é de que o caso expõe uma possível falha de prioridade na gestão dos recursos públicos destinados à Educação.

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A polêmica cresce diante dos números apresentados pelos professores. Conforme informações repassadas à reportagem, o saldo dos recursos do Fundeb teria chegado a aproximadamente R$ 7 milhões até o dia 22 de abril. Após o pagamento da folha dos professores, no valor de R$ 3.655.081,37, ainda teria restado saldo superior a R$ 4 milhões. Nesta quinta-feira (30), segundo os servidores, houve nova entrada de mais de R$ 400 mil, o que poderia elevar o saldo da Educação para cerca de R$ 4.465.494,32.

Diante desse cenário, os professores questionam por que o município não realizou o pagamento dos retroativos de janeiro a abril. Para a categoria, a discussão vai além dos números e entra no campo político: haveria dinheiro em caixa, mas faltaria prioridade com os profissionais da Educação.

A legislação municipal também está no centro do debate. A Lei nº 1.036, de 02 de junho de 2015, fixa a data-base para reajuste dos vencimentos dos funcionários, servidores e ocupantes da carreira do Magistério do Município de Chapadão do Sul. O texto trata da valorização dos profissionais do Magistério e estabelece regras para reajuste.

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Segundo os professores, desde a criação da lei, mesmo quando havia atraso, o município realizava o pagamento do reajuste junto ao salário de abril, recebido em maio, incluindo os valores retroativos. Neste ano, porém, a gestão alterou pontos da legislação e incluiu a possibilidade excepcional de pagamento até junho, o que provocou reação da categoria.

A manifestação também ganhou força nas redes sociais. Peças compartilhadas por professores afirmam que “recursos existem” e que a ausência de pagamento não seria falta de dinheiro, mas “falta de prioridade com a Educação”. O material aponta a existência de recursos em conta do Fundeb após o pagamento da folha e acusa a administração de descaso com a categoria.

O clima ficou ainda mais tenso após declarações atribuídas ao prefeito Walter Schillater. Segundo relatos de professores, após a manifestação, o chefe do Executivo teria usado suas redes sociais para deixar taxado o movimento como “patético”, afirmado que militantes estariam fazendo “politicagem” e mencionado que se trataria de uma minoria da classe. Servidores também criticaram falas em que o prefeito teria sugerido que professores teriam “preguiça de ler”.

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As declarações, se confirmadas, ampliam o desgaste político entre a gestão municipal e os profissionais da Educação. Para os professores, o episódio demonstra falta de respeito com uma categoria que cobra o cumprimento de direitos previstos em lei.

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O MS Todo Dia acompanha o caso e mantém espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Chapadão do Sul, do prefeito Walter Schillater e dos representantes da categoria. O tema envolve interesse público, recursos da Educação e direitos dos profissionais do Magistério, categoria considerada essencial para o desenvolvimento do município.

Fonte: Jornal Ms Todo Dia 

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