Uma confusão causada por um erro na reserva de um quarto terminou com a condenação de um casal ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais em Paranaíba.
A decisão é da juíza Nária Cassiana Silva Barros, da 1ª Vara Cível, que condenou os acusados após agressões verbais e físicas contra o recepcionista de um hotel da cidade. Cada um deverá pagar R$ 10 mil à vítima, além das custas processuais.
O caso ocorreu na noite de 30 de junho de 2023. Conforme os documentos do processo, o casal chegou ao hotel e foi informado pelo funcionário de que não havia nenhuma reserva em nome deles no sistema e que o estabelecimento estava lotado.
Segundo o trabalhador, ele tentou buscar alternativas e ajudar os clientes, mas os dois perderam a paciência e passaram a agir de forma agressiva. Durante a confusão, o homem arrancou o telefone da mão do atendente e o arremessou contra ele.
Na sequência, a mulher começou a pegar objetos que estavam sobre o balcão da recepção e lançá-los em direção ao funcionário.
Ao se defender na Justiça, o casal alegou que havia realizado a reserva previamente e atribuiu o problema ao hotel. Eles afirmaram que a reação foi apenas uma demonstração de insatisfação diante do transtorno e sustentaram que não houve ofensas pessoais nem motivo para indenização.
A versão, porém, não convenceu a Justiça. Testemunhas ouvidas no processo relataram que houve gritos, xingamentos e agressões contra o recepcionista. Um hóspede que estava próximo à recepção confirmou ter presenciado a confusão e ouvido o barulho dos objetos sendo arremessados.
O gerente do hotel também prestou depoimento e afirmou que encontrou o funcionário abalado emocionalmente e sem condições de continuar trabalhando após o episódio.
As imagens das câmeras de segurança do estabelecimento também foram utilizadas como prova no julgamento. Os vídeos registraram o momento em que o homem avança sobre o balcão, toma o telefone do atendente e o joga contra ele, além da postura agressiva da mulher durante a discussão.
Na sentença, a magistrada destacou que falhas em serviços ou problemas em reservas não autorizam agressões ou humilhações contra trabalhadores.
“A situação narrada ultrapassa o mero dissabor cotidiano, atingindo a honra e a dignidade”, afirmou a juíza na decisão.
Após o episódio, o recepcionista passou a evitar trabalhar no período noturno e, pouco tempo depois, pediu demissão do emprego onde atuava havia cinco anos.
Fonte: Jornal MS Todo Dia
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