O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) negou o recurso da defesa de Juliano Pinheiro de Oliveira e manteve a decisão que o levará a júri popular pelo feminicídio da namorada, Rose Antonia de Paula, de 40 anos. O crime ocorreu em junho de 2025, em Costa Rica.
A defesa buscava a absolvição sumária do acusado sob a alegação de legítima defesa e, de forma subsidiária, pedia a exclusão da qualificadora relacionada ao emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima.
Ao analisar o caso, os desembargadores da 3ª Câmara Criminal entenderam que a legítima defesa não ficou comprovada de forma inequívoca nos autos, requisito indispensável para a absolvição antes do julgamento pelo Tribunal do Júri.
Segundo a decisão, a existência de uma discussão ou luta corporal anterior não afasta, por si só, a possibilidade de que o golpe tenha sido desferido de forma a impedir ou dificultar a reação da vítima. Para o colegiado, há controvérsias sobre a dinâmica dos fatos que somente podem ser esclarecidas durante o julgamento popular.
Lesão gera dúvidas sobre versão da defesa
Os magistrados destacaram que o laudo necroscópico apontou um ferimento profundo na região do pescoço, com comprometimento de músculos, vasos sanguíneos, vértebras, ligamentos, nervos e tendões.
Para o Tribunal, a gravidade da lesão levanta dúvidas relevantes sobre a versão apresentada pela defesa de que o golpe teria ocorrido acidentalmente durante uma tentativa de desarmar a vítima.
A decisão também menciona que a materialidade do crime foi comprovada pelos laudos periciais e que há indícios suficientes de autoria, já que o próprio acusado admitiu estar no imóvel e ter mantido contato físico com a vítima e com o facão utilizado no crime.
Além disso, os desembargadores levaram em consideração as circunstâncias em que o corpo e a arma foram encontrados, a ausência de elementos externos que confirmassem a versão defensiva, a fuga do acusado sem prestar socorro e relatos de que ele teria informado a terceiros que matou a companheira.
Decisão foi unânime
Para o colegiado, questões como quem iniciou a agressão, quem estava com o facão no momento do golpe, de que forma a arma foi utilizada e se houve proporcionalidade na reação dependem de análise aprofundada das provas, atribuição do Conselho de Sentença.
Com isso, por decisão unânime, a 3ª Câmara Criminal do TJMS negou o recurso da defesa e manteve a pronúncia de Juliano Pinheiro de Oliveira, que será submetido a júri popular pela acusação de feminicídio.
Fonte: JD1 Notícias
Você também pode gostar de ler
MP denuncia sobrinho por mandar matar tia durante disputa por herança em Ribas
Segundo a acusação, idosa de 70 anos foi assassinada com ao menos 15 facadas cinco dias após suspensão do inventário da família; executor também foi denunciado
Publicado em 31/07/2026 às 08:51 - Atualizado em 31/07/2026 às 10:01 - Por Gabi Ferreira
Ministério Público investiga suspeita de loteamento clandestino em Paranaíba
Inquérito Civil apura possível parcelamento irregular de área urbana e cobra esclarecimentos do proprietário
Publicado em 30/07/2026 às 10:45 - Atualizado em 30/07/2026 às 11:44 - Por Gabi Ferreira
Descarte irregular de agrotóxicos em fazenda da Arauco vira alvo de investigação em Paraíso das Águas
Inquérito Civil do MPMS apura possível responsabilidade ambiental da empresa após fiscalização identificar descarte a céu aberto
Publicado em 25/07/2026 às 09:30 - Atualizado em 25/07/2026 às 09:32 - Por Gabi Ferreira
Justiça condena homem que ficou quase 20 anos foragido por dopar e estuprar ex-enteada em Camapuã
Crime aconteceu em 2007; réu foi condenado a 15 anos e 5 meses de reclusão em regime inicial fechado
Publicado em 17/07/2026 às 09:41 - Atualizado em 17/07/2026 às 09:44 - Por Gabi Ferreira