As mulheres ganham 32,6% a menos do que os homens no estado de Mato Grosso do Sul. É o que aponta o 1º Relatório de Transparência Salarial já publicado no país com recorte de gênero. O documento, apresentado nesta segunda-feira, 25 de março, pelos ministérios do Trabalho e Emprego (MTE) e das Mulheres, contém dados extraídos das informações enviadas pelas empresas com 100 ou mais funcionários — perfil exigido por lei para apresentar os dados para o Governo Federal.
No total, 580 empresas sul-mato-grossenses responderam ao questionário. Juntas, elas somam pouco mais de 199 mil pessoas empregadas. A exigência do envio de dados atende à Lei nº 14.611, que dispõe sobre a Igualdade Salarial e Critérios Remuneratórios entre Mulheres e Homens, sancionada pelo presidente Lula em julho de 2023.
A diferença de remuneração entre mulheres e homens varia de acordo com o grande grupo ocupacional. Em Mato Grosso do Sul, em cargos de dirigentes e gerentes, por exemplo, a diferença salta para 40,5%.
No recorte por raça, o relatório aponta que há um equilíbrio entre o número de mulheres negras e mulheres não negras nas empresas do levantamento, com registro de 35,8 mil e 37,7 mil, respectivamente. Contudo, mulheres negras recebem, em média, 21,5% a menos que as não negras. Entre os homens negros e não negros, a diferença de remuneração média é menor: 12,3%.
O Relatório também apresenta informações que indicam se as empresas contam com políticas efetivas de incentivo à contratação de mulheres, como flexibilização do regime de trabalho para apoio à parentalidade, entre outros critérios vistos como de incentivo à entrada, permanência e ascensão profissional das mulheres.
No caso de Mato Grosso do Sul, o relatório registrou que 61,5% das empresas possuem planos de cargos e salários; 37,4% adotam políticas para promoção de mulheres a cargos de direção e gerência; 26,1% têm políticas de incentivo à contratação de mulheres; e 19,9% adotam incentivos para contratação de mulheres negras. Poucas empresas ainda adotam políticas como licença maternidade (ou paternidade) estendida (17,1%) e auxílio-creche (14,9%).
Atualmente, somente 18% possuem políticas de incentivo à contratação de mulheres LGBTQIAP+; 23,3% incentivam o ingresso de mulheres com deficiência; e apenas 7% têm programas específicos de incentivo à contratação de mulheres vítimas de violência.
NACIONAL – No Brasil, as mulheres ganham 19,4% a menos do que os homens, de acordo com o 1º Relatório de Transparência Salarial. No total, 49.587 empresas responderam ao questionário – quase 100% do universo de companhias com 100 ou mais funcionários no Brasil. Destas, 73% têm 10 anos ou mais de existência. Juntas, elas somam quase 17,7 milhões de empregados.
A diferença de remuneração entre homens e mulheres varia de acordo com o grande grupo ocupacional. Em cargos de dirigentes e gerentes, por exemplo, chega a 25,2%.
No recorte por raça, o relatório aponta que as mulheres negras, além de estarem em menor número no mercado de trabalho, também recebem menos do que as mulheres brancas. Enquanto a remuneração média da mulher negra é de R$ 3.040,89, a da não negra é de R$ 4.552,45, diferença de 49,7%. No caso dos homens, os negros recebem em média R$ 3.843,74 e os não negros, R$ 5.718,40, o equivalente a 48,77%.
POLÍTICAS DE INCENTIVO — O relatório registrou que, em todo o país, 51,6% das empresas possuem planos de cargos e salários, políticas de incentivos às mulheres; 38,3% adotam políticas para promoção de mulheres a cargos de direção e gerência; 32,6% têm políticas de apoio à contratação de mulheres; e 26,4% adotam incentivos para contratação de mulheres negras.
Apenas 20,6% possuem políticas de incentivo à contratação de mulheres LGBTQIAP+, 23,3% incentivam o ingresso de mulheres com deficiência, e apenas 5,4% têm programas específicos de incentivo à contratação de mulheres vítimas de violência.
Poucas empresas ainda adotam políticas como flexibilização de regime de trabalho, como licença maternidade/paternidade estendida (17,7%) e auxílio-creche (21,4%).
ESTADOS — Os dados mostram diferenças significativas por Unidade da Federação. O estado do Piauí, por exemplo, tem a menor desigualdade salarial entre homens e mulheres: elas recebem 6,3% a menos do que eles, em um universo de 323 empresas, que totalizam 96.817 ocupados. A remuneração média é de R$ 2.845,85.
Na sequência das UFs com menor desigualdade salarial entre homens e mulheres aparecem Sergipe e Distrito Federal, com elas recebendo 7,1% e 8% menos do que os homens, respectivamente. Em Sergipe, a remuneração média é de 2.975,77. No DF é a maior do país: R$ 6.326,24.
A maior desigualdade salarial no Brasil ocorre no Espírito Santo, onde as mulheres recebem 35,1% menos do que os homens. Na sequência dos estados mais desiguais, aparecem Paraná (66,2%), Mato Grosso do Sul (67,4%) e Mato Grosso (68,6%).
São Paulo é o estado com maior número de empresas participantes, um total de 16.536, e maior diversidade de situações. As mulheres recebem 19,1% a menos do que os homens, praticamente espelhando a desigualdade média nacional. A remuneração média é de R$ 5.387.
ONDE ACESSAR — Todos os dados estão disponíveis para consulta no site Portal Emprega Brasil - Empregador. As empresas têm até 31 de março para publicar o seu relatório individual no portal ou em suas redes sociais, sempre em local visível, garantindo a ampla divulgação para seus empregados, trabalhadores e público em geral. Aquelas que não tornarem públicas as informações do relatório serão multadas em 3% do valor da folha.
As empresas terão o prazo de 90 dias para apresentarem um plano de mitigação, ou seja, para reduzir as diferenças apontadas pelo relatório. Funcionários que quiserem denunciar desigualdades podem acessar o site Link.
INSTRUMENTO PARA A IGUALDADE — Tanto o Relatório de Transparência Salarial quanto o Plano Nacional de Igualdade Salarial, que ainda será lançado, são frutos da Lei nº 14.611, sancionada pelo presidente Lula em 3 de julho de 2023. Ela aborda a igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre homens e mulheres no ambiente de trabalho, modificando o artigo 461 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Por força da lei, empresas com 100 ou mais empregados devem adotar medidas para garantir essa igualdade, incluindo transparência salarial, fiscalização contra discriminação, canais de denúncia, programas de diversidade e inclusão, e apoio à capacitação de mulheres. A lei foi a primeira iniciativa do Executivo no primeiro ano do governo Lula, encaminhada ao Congresso Nacional em março do ano passado e aprovada no mês de junho.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
Foto: Banco de Imagens/Freepik
Você também pode gostar de ler
Licenciamento 2026 começa em MS e placas 1 e 2 devem pagar em abril
Valor dentro do prazo é de R$ 240,50; conduzir veículo não licenciado é infração gravíssima
Publicado em 06/04/2026 às 08:10 - Atualizado em 06/04/2026 às 08:36 - Por Gabi Ferreira
Costa Rica lidera casos de dengue em MS e acende alerta na região norte
Boletim epidemiológico aponta alta incidência e avanço da doença em municípios como Figueirão e Paraíso das Águas
Publicado em 02/04/2026 às 08:08 - Atualizado em 02/04/2026 às 08:51 - Por Gabi Ferreira
IPVA 2026: vence hoje prazo para pagamento da terceira parcela
Contribuintes devem ficar atentos para evitar juros, multas e impedimentos no licenciamento do veículo
Publicado em 31/03/2026 às 10:08 - Atualizado em 31/03/2026 às 10:11 - Por Gabi Ferreira
Incêndio atinge fábrica de brinquedos em Aparecida do Taboado
Equipes de Três Lagoas, Paranaíba e da usina Alcovalle combateram o fogo. Ninguém ficou ferido e os danos foram apenas materiais
Publicado em 30/03/2026 às 06:50 - Atualizado em 30/03/2026 às 06:58 - Por Gabi Ferreira
Bebê de 1 mês morre por chikungunya; é o 5º óbito registrado em MS este ano
Caso foi registrado na Reserva Indígena de Dourados; governo estadual já trata situação como epidemia
Publicado em 25/03/2026 às 14:52 - Atualizado em 25/03/2026 às 15:13 - Por Gabi Ferreira
Pirarucu é classificado como invasor e tem pesca liberada no Pantanal
Espécie invasora poderá ser capturada sem limite em Mato Grosso do Sul, segundo norma do Ibama
Publicado em 20/03/2026 às 08:11 - Atualizado em 20/03/2026 às 08:15 - Por Gabi Ferreira
Coxim, Alcinópolis e Figueirão recebem carreta-palco do Circula Cultura MS
Projeto leva teatro, dança e circo gratuitos a 40 municípios; Camapuã, Sonora e Paraíso das Águas também estão entre as cidades
Publicado em 18/03/2026 às 09:13 - Atualizado em 18/03/2026 às 09:16 - Por Gabi Ferreira
Artesã de Rio Verde é homenageada na abertura da Semana do Artesão em MS
Feira Mãos que Criam reúne artesãos de 45 municípios e oito etnias indígenas em Campo Grande
Publicado em 17/03/2026 às 10:40 - Atualizado em 17/03/2026 às 11:52 - Por Gabi Ferreira
Coxim e Cassilândia terão Judiciário sem expediente nesta quinta e sexta-feira
Comarcas param por feriado de São José e ponto facultativo; atendimento será mantido apenas em regime de plantão
Publicado em 17/03/2026 às 09:00 - Atualizado em 17/03/2026 às 09:13 - Por Gabi Ferreira